Durante anos, boa parte da estratégia digital girou em torno de uma pergunta relativamente simples: minha marca aparece na primeira página do Google? Hoje essa pergunta começa a ficar incompleta. Cada vez mais pessoas iniciam suas pesquisas diretamente em ferramentas de IA, e isso muda o momento em que uma marca entra ou deixa de entrar no processo de consideração. Quando alguém pergunta a uma LLM qual é o melhor fornecedor de determinada categoria, provavelmente não vai receber dez páginas de resultados, mas algumas poucas recomendações.
Os números de 2026 mostram a velocidade dessa mudança: a expectativa é de uma redução de 25% nas buscas tradicionais até o fim do ano, o ChatGPT reportou 900 milhões de usuários semanais em fevereiro e, segundo a Similarweb, 35% dos consumidores já utilizam IA durante a descoberta de produtos, enquanto 13,6% recorrem à busca tradicional. Em muitos casos, a decisão começa a ser formada antes mesmo de alguém visitar o site de uma empresa.
É aí que entra o GEO, Generative Engine Optimization. Mas acredito que tratá-lo apenas como uma evolução técnica do SEO é limitar demais a discussão. O SEO foi construído em torno de posições, palavras-chave e backlinks; no GEO, a questão passa a ser o que faz um modelo considerar uma empresa relevante o suficiente para incluí-la em uma resposta. A Ahrefs encontrou uma correlação de 0,664 entre menções de marca e visibilidade em sistemas de IA, contra 0,218 para backlinks.
Um estudo de pesquisadores de Princeton, Georgia Tech e IIT Delhi também mostrou que distribuir conteúdo em diferentes publicações pode aumentar em até 325% as citações em respostas generativas em comparação com concentrá-lo apenas no próprio site. Para quem trabalha com comunicação, essa lógica não é exatamente nova. Uma empresa pode falar muito sobre si mesma, mas autoridade também se constrói quando outras pessoas e instituições falam sobre ela.
Na América Latina, essa mudança pode ser ainda mais relevante. Segundo o relatório Redegal 2026, a adoção de IA entre consumidores chega a 76% no Brasil e 70% no México, ambos acima da média global, enquanto 74% dos CMOs da região já transferiram parte do orçamento de SEO tradicional para iniciativas relacionadas a mecanismos generativos.
Na LatAm Intersect, trabalhamos há anos com equipes e especialistas locais em diferentes países, levando histórias a veículos que realmente têm autoridade dentro de cada mercado. Esse modelo, reconhecido também quando recebemos o prêmio de Consultoria de RP do Ano em Davos, ganha agora uma nova dimensão. Uma menção no Valor Econômico, El Financiero ou La Nación continua tendo o valor de sempre em termos de reputação, credibilidade e alcance, mas também passa a fazer parte do conjunto de informações que os modelos podem encontrar, associar a uma empresa e eventualmente utilizar para construir uma recomendação.
Por isso, vejo três erros que podem começar a custar caro:
- Entregar todo o GEO para uma agência técnica
- Concentrar praticamente todo o conhecimento da empresa no blog corporativo
- Acreditar que apenas os grandes veículos internacionais importam.
Uma marca pode ter um site impecável e uma estratégia de SEO sofisticada e, ainda assim, permanecer praticamente invisível para uma LLM se quase ninguém falar sobre ela fora dos seus próprios canais.
Depois de anos em que PR muitas vezes ficou em segundo plano diante de performance, SEO ou social media, essa dinâmica começa a mudar. Aquilo que sempre esteve no centro das relações públicas conseguir que terceiros falem sobre uma empresa com credibilidade, contexto e autoridade também pode influenciar a maneira como os modelos entendem essa marca. Estar na primeira página do Google continua importante. Mas a próxima disputa é garantir que, quando alguém fizer a pergunta certa, a sua empresa também faça parte da resposta.

