A maioria curiosa em IA na América Latina: o que 2025 revelou e o que 2026 vai colocar à prova
Em 2025, a IA virou comportamento cotidiano na América Latina antes de se tornar uma infraestrutura de confiança. O uso é alto e a curiosidade é maior, mas a confiança não acompanha no mesmo ritmo. Esse descompasso, o gap entre experimentar e acreditar, é o fator que vai separar marcas e plataformas que ganham permissão para escalar em 2026 das que vão estagnar por rejeição silenciosa.
O que a adoção de IA na América Latina realmente significa em 2025?
A América Latina não “adotou” IA do jeito que o Vale do Silício imaginou. Ela absorveu.
O uso se espalhou mais rápido do que prontidão institucional, regulação e qualquer consenso cultural sobre limites. 65% dos consumidores latino-americanos já usam ferramentas de IA. O número sugere maturidade. O comportamento por trás dele, não.
As pessoas estão experimentando antes de decidir no que acreditam.
A confiança é irregular: 44% se preocupam com desinformação gerada por IA; mais da metade dos consumidores mexicanos se sente desconfortável com marcas que substituem pessoas reais por embaixadores virtuais; e 65% dos trabalhadores admitem usar “IA sombra” para contornar sistemas oficiais e dar conta do trabalho.
Isso não é contradição. É atrito. E o atrito é o principal dado de 2025.
Curiosidade alta, confiança condicional: onde a IA é bem-vinda e onde trava
Na América Latina, a IA é usada de forma pragmática, não ideológica. Testa-se onde ajuda, recua-se onde parece invasiva.
- Otimismo real: saúde, transporte, agricultura, atendimento ao cliente
- Ceticismo imediato: mídia, política, emprego, saúde mental
O Brasil exemplifica a tensão: 57% confiam em recomendações de chatbots tanto quanto em recomendações humanas, acima da média global. Ainda assim, o mesmo mercado reage mal quando marcas automatizam “identidade” demais ou apagam rápido a presença humana.
A região não é anti-IA, mas anti-distanciamento: IA que auxilia é bem-vinda, IA que substitui pessoas gera desconforto.
Como a curiosidade em IA mudou a busca em 2025
GEO está substituindo o SEO silenciosamente
Para muitos latino-americanos, “buscar” deixou de começar em um buscador. Passou a começar com uma pergunta.
Interfaces generativas reduziram atrito: menos passos, mais contexto, tom conversacional. Isso pesa em uma região com variação relevante de letramento digital e predominância de mobile.
A busca via IA funciona porque se adapta à forma como as pessoas realmente perguntam, não à lógica de palavras-chave treinadas para performar.
Por isso, a busca conversacional cresce mais rápido do que a otimização clássica. E por isso marcas que dependem apenas de conteúdo orientado por keywords já estão perdendo descoberta no início da jornada, mesmo mantendo rankings.
Por que a América Latina avançou mais rápido do que o esperado?
Segundo o Índice Latino-Americano de Inteligência Artificial, a região concentrou cerca de 14% das visitas globais a soluções de IA em 2025, apesar de representar 11% dos usuários globais de internet. A adoção superou a infraestrutura.
Três forças explicam o avanço:
- Baixa tolerância à complexidade: ferramentas que funcionam “sem esforço” se espalham rápido
- Conforto cultural com atalhos: IA sombra é característica, não desvio
- Lacunas de linguagem e contexto em plataformas globais: modelos localizados (como Latam-GPT) reduzem atrito ao “falar como as pessoas falam”
Brasil lidera em maturidade, regulação e experimentação. México acompanha em comportamento do consumidor e comércio. Mercados menores dão saltos quando as ferramentas soam culturalmente nativas.
O fator decisivo não é sofisticação. É relevância.
O erro mais recorrente
Muitas marcas confundem alto uso com alta confiança.
Não é a mesma coisa.
Empresas interpretaram números de adoção como autorização para automatizar agressivamente, remover pontos humanos de contato ou substituir pessoas visíveis por avatares sintéticos. A reação negativa foi previsível.
- Influenciadores virtuais sem contexto narrativo parecem vazios
- Chatbots sem escalonamento humano soam indiferentes
- Conteúdo gerado por IA sem enraizamento cultural parece estrangeiro, mesmo em português ou espanhol
Framework: o Gap de Curiosidade em IA
Para entender 2025 e planejar 2026, uma lente simples:
Gap de Curiosidade em IA
A distância entre a frequência com que as pessoas usam IA e o quanto confiam nela para agir de forma autônoma.
Esse gap é particularmente amplo na América Latina.
O que amplia o gap
- Remover humanos rápido demais
- Priorizar eficiência de automação acima da experiência
- Tratar localização como mera tradução
- Assumir que narrativas globais de IA se aplicam localmente
O que reduz o gap
- IA assistiva, não substitutiva
- Transparência clara e possibilidade de escolha
- Fluência cultural em tom, humor e referências
- Responsabilidade humana visível quando algo dá errado
Marcas que fecham esse gap ganham permissão para escalar. As que ignoram tendem a estagnar rápido.
O que 2026 vai colocar à prova
1) A IA será avaliada por responsabilidade, não novidade
A fase do encantamento termina. A pergunta passa a ser: quem responde quando falha?
2) Conteúdo orientado a GEO vai exigir inteligência cultural
Texto “otimizado para LLM” sem nuance local tende a performar mal. Motores premiam clareza. Pessoas premiam relevância.
3) IA sombra vai forçar debates reais de governança
Empresas não poderão fingir que uso informal é marginal. Políticas precisam refletir o comportamento real, não o ideal.
4) Presença humana vira ativo estratégico
Em uma região sensível à distância institucional, pessoas visíveis sinalizam credibilidade. IA que amplifica humanos tende a superar IA que os substitui.
FAQ
A adoção de IA na América Latina é maior do que o esperado?
Sim. O uso cresceu mais rápido do que a infraestrutura e a regulação, impulsionado por ferramentas acessíveis e experimentação pragmática.
Por que a confiança é menor do que o uso?
Porque a adoção veio antes do consenso. As pessoas testam a IA pela utilidade, não por confiança plena.
SEO ainda é relevante na região?
Sim, mas não é suficiente. GEO ganha peso à medida que a busca conversacional se torna o ponto de partida.
Os consumidores latino-americanos são contra automação?
Não. Eles rejeitam automação que elimina a presença humana sem entregar valor claro.
O que as marcas devem priorizar em 2026?
IA assistiva, fluência cultural e responsabilidade visível.

