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O consumidor latino-americano resiliente: o que 2025 revelou e o que 2026 vai exigir

Em 2025, o consumidor latino-americano não recuou diante da pressão econômica, ele recalibrou. Inflação, tarifas e desaceleração do crescimento forçaram decisões mais estratégicas, digitais e intencionais. Essa resiliência explica por que o consumo se manteve e antecipa o que as marcas precisarão entregar para permanecer relevantes em 2026.

A LatAm Intersect lançou um e-book que mapeia como essa transformação tende a se desenrolar, a partir de quatro traços que moldaram o comportamento de consumo em 2025 e de quatro traços correspondentes que devem definir 2026. Baixe aqui.

 

Por que a resiliência definiu o consumo na América Latina em 2025?

Em 2025, resiliência não foi traço de personalidade. Foi um sistema.

Grande parte das leituras globais sobre a América Latina focou nas restrições: inflação persistente, atritos comerciais com os Estados Unidos, projeções de crescimento mais fracas. Tudo isso é verdadeiro. O que ficou de fora foi como os consumidores reorganizaram seus hábitos a partir dessas restrições, em vez de esperar por alívio.

Na maioria das principais economias da região, a demanda doméstica cresceu acima do PIB no primeiro semestre do ano. O e-commerce avançou em ritmo de dois dígitos, mantendo a América Latina como a região de crescimento mais acelerado do comércio eletrônico global. Carteiras digitais e pagamentos instantâneos deixaram de ser novidade e passaram a integrar a infraestrutura cotidiana.

Isso não foi otimismo.

Foi adaptação em escala.

O que realmente pressionou o consumidor em 2025 e por que isso foi decisivo

A pressão econômica em 2025 não foi abstrata. Ela foi cumulativa.

A inflação geral desacelerou, mas a inflação de serviços seguiu resistente. Tarifas impostas pelos Estados Unidos, incluindo taxas-base sobre exportações latino-americanas e alíquotas mais elevadas para o México,  aumentaram a incerteza sobre preços e emprego. O crescimento regional desacelerou para cerca de 2%, com o México abaixo de 1% e o Brasil novamente pressionado por câmbio e juros.

Em teoria, esse seria o momento de retração do consumo.

Na prática, ele se reorganizou.

As pessoas não deixaram de gastar. Mudaram como, onde e com que ferramentas passaram a gastar.

Como a resiliência se traduziu em comportamento real de consumo

1. Consumo estratégico substituiu cortes defensivos

Os consumidores não compraram simplesmente menos. Compraram melhor.

Mais da metade dos lares utilizou sete ou mais canais de compra ao longo do ano. Três em cada quatro brasileiros consultaram aplicativos de lojas antes de concluir uma compra. Comparação de preços, busca por ofertas e troca de canais deixaram de ser táticas ocasionais e viraram padrão.

O ponto central foi a intencionalidade. O consumo passou a ser planejado, não impulsivo. O digital deixou de representar conveniência e passou a representar controle.

2. O digital virou uma camada de preservação de valor

O crescimento do e-commerce em 2025 não foi movido por novidade, mas por eficiência.

As vendas online cresceram mais de 12% ano a ano, alcançando quase US$ 190 bilhões na região. O mobile respondeu por até 85% das transações em alguns mercados, com Brasil, México e Argentina concentrando mais de 80% do volume.

O que costuma ser ignorado é o motivo dessa sustentação sob pressão. Os canais digitais permitiram neutralizar volatilidade: travar preços, monitorar promoções e contornar limitações geográficas. O digital não substituiu o varejo físico. Tornou-o mais eficiente.

3. Pagamentos deixaram de ser inovação e viraram infraestrutura

A rápida adoção de carteiras digitais costuma ser narrada como sucesso do setor fintech. Na prática, foi um movimento de resiliência.

Em 2025, mais de 300 milhões de latino-americanos já utilizavam carteiras digitais. Quase metade do faturamento do e-commerce passou por esses meios, ante pouco mais de 20% dois anos antes. O uso de dinheiro em espécie caiu para cerca de um terço das transações.

Soluções como Pix e Mercado Pago não venceram por serem novas, mas porque reduziram atrito em um momento em que não havia margem para ineficiência.

Os quatro traços que definiram o consumidor latino-americano em 2025

A partir desses comportamentos, quatro padrões se repetiram de forma consistente.

A pressão econômica gerou estratégia, não paralisia

Os consumidores aprenderam a administrar inflação e volatilidade com ferramentas, canais e timing. A sensibilidade a preço aumentou — assim como a sofisticação.

O impacto local entrou na equação de valor

Preço continuou relevante, mas cresceu a atenção sobre empregos, comunidades e efeitos tangíveis no entorno. Narrativas amplas de ESG perderam força frente a impactos visíveis.

Bem-estar virou filtro, não aspiração

Saúde física e mental passaram a orientar decisões de compra como autopreservação. Produtos que economizam tempo, reduzem estresse ou simplificam rotinas ganharam espaço.

A tecnologia foi adotada com curiosidade — e condições

A região adotou novas tecnologias rapidamente, mas sem ingenuidade. Ferramentas precisaram provar valor ao resolver problemas reais. Conveniência sem benefício não se sustentou.

O erro mais comum que seguimos observando nas marcas

As marcas continuam confundindo resiliência com otimismo.

Assumem que, se o consumo continua, o consumidor está confiante. Não está. Ele está responsável. Calculista. Seletivo.

Mensagens baseadas em abundância, excesso ou aspirações sem atrito soam desconectadas do cálculo mental que as pessoas fazem todos os dias.

O que funciona é clareza: valor claro, relevância clara e respeito explícito pelas restrições que o consumidor está gerenciando.

Framework LatAm Intersect: o Loop da Resiliência

Para entender 2026, é útil nomear o que aconteceu em 2025.

O Loop da Resiliência descreve como o consumidor latino-americano passou a operar:

  • Pressão: surgem restrições econômicas ou sociais
  • Adoção de ferramentas: canais digitais e pagamentos absorvem o atrito
  • Aprendizado comportamental: hábitos são refinados, não apenas escolhas
  • Redefinição de expectativas: marcas passam a ser avaliadas sob esse novo padrão

Quando o ciclo se fecha, não há retorno ao patamar anterior. Conveniência, transparência e controle deixam de diferenciar. Tornam-se pré-requisitos.

O que a resiliência de 2025 exige das marcas em 2026

Três implicações se destacam.

Primeiro, consistência entre canais será mais relevante do que simples presença. O consumidor já transita entre online e offline sem esforço. Qualquer atrito será percebido como punição.

Segundo, pagamento e acesso influenciarão a preferência tanto quanto o produto. Se pagar parece mais difícil do que deveria, o consumidor não negocia. Ele abandona.

Terceiro, relevância local superará escala. Em um cenário de volatilidade persistente, marcas que demonstram entendimento das pressões locais parecerão escolhas mais seguras.

A resiliência recalibrou a confiança.

Em 2026, ela favorecerá marcas que respeitam os sistemas que os próprios consumidores já construíram.

FAQ: Consumo e resiliência na América Latina

Por que a resiliência é o traço central do consumidor latino-americano em 2025?

Porque os consumidores se adaptaram estruturalmente à pressão, em vez de esperar por alívio econômico.

Inflação e tarifas reduziram o consumo?

Mudaram mais os padrões do que os volumes, empurrando o consumo para decisões estratégicas e digitais.

Por que o e-commerce continuou crescendo?

Porque ajudou a administrar volatilidade, acessar promoções e otimizar compras físicas.

Carteiras digitais são tendência ou mudança permanente?

São infraestrutura. Sua adoção está ligada à eficiência cotidiana, não à novidade.

O que as marcas devem priorizar em 2026?

Consistência omnichannel, pagamentos sem atrito e mensagens alinhadas às restrições reais do consumidor.

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