Eletrificar transportes e indústria pode reduzir até 18% das emissões brasileiras, aponta estudo
Em Belém, convidados da Abradee, associação representativa das distribuidoras de energia, debateram transição energética e os desafios frente à recorrência de eventos extremos
Belém (PA) – A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30) estava sendo oficialmente aberta, em 10 de novembro, na capital paraense, quando ainda repercutiam notícias de tornados que atingiram simultaneamente, no fim de semana anterior, cidades do Paraná e Santa Catarina. O município paranaense de Rio Bonito do Iguaçu teve cerca de 90% dos seus imóveis destruídos. O exemplo dessa tragédia que causou sete mortes, deixou mais de 400 pessoas feridas e provocou inúmeros prejuízos materiais foi lembrado durante debates promovidos pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), quando executivos e convidados dialogam sobre o estudo Coalizão do Setor Elétrico: Energia Limpa, Competitiva e Resiliente para Transformar o Brasil. Dentre outros resultados, esse levantamento indicou que o Brasil pode reduzir em até 18% suas emissões líquidas de gases de efeito estufa com a eletrificação de setores como os de transporte e indústria.
Liderado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), com apoio técnico da organização PSR, o estudo mobilizou mais de 70 entidades em torno de debates sobre o futuro energético brasileiro, tendo em vista os desafios relacionados à crise climática e à demanda global por transição justa dos processos de geração e distribuição.
Ao debaterem os resultados do estudo no fórum “O papel do segmento de distribuição de energia na transição energética”, a presidente do Cebds, Marina Grossi; o diretor da Abradee, Ricardo Brandão, dentre outros executivos e convidados, enfatizaram que, diferentemente do cenário internacional, o Brasil tem uma das matrizes mais limpas do mundo, com cerca de 90% de suas fontes renováveis. Além disso, o setor energético responde por menos de 2% das emissões nacionais, contra uma média global de 30%. Essas são algumas das mensagens centrais do levantamento realizado pela Coalizão que demonstra a competitividade brasileira para promover mudanças necessárias rumo à descarbonização.
O estudo aponta, ainda, que embora o país tenha condições de liderar os esforços de transição energética mundial, por contar com vantagens competitivas como rede elétrica interligada e confiável, recursos renováveis, além de mercado consumidor amplo e estável, há inúmeros desafios a serem superados nesse sentido. Dentre os quais, defende-se a necessidade de coerência no campo das políticas públicas brasileiras, eficiência em relação aos preços de tarifas e resiliência às mudanças climáticas.
Como parte dos esforços de enfrentamento de eventos extremos como tempestades, tornados, ciclones, além de outros que tendem a trazer cada vez mais impactos para o cotidiano das empresas distribuidoras, a Abradee informou que começou a produzir um estudo sobre como se preparar para enfrentar esse cenário cada vez mais recorrente no Brasil. O levantamento foi iniciado este ano e deverá ser concluído no ano que vem. Por meio dessa iniciativa, a ideia é buscar aprendizados com o mapeamento de experiências internacionais, escuta a especialistas e outras alternativas com intuito de trazer embasamento para processos futuros de tomada de decisões no setor.
Esta reportagem foi produzida por ((oeco)), por meio da Cobertura Colaborativa Socioambiental da COP 30. Leia a reportagem original em https://oeco.org.br/noticias/eletrificar-transportes-e-industria-pode-reduzir-ate-18-das-emissoes-brasileiras-aponta-estudo/















