André Corrêa do Lago: ‘roadmap’ será iniciativa da presidência da COP e existe acordo sobre financiamento
Autores: Alice Martins Morais e Daniel Nardin.
Edição: Natália Mello
Em entrevista exclusiva ao Amazônia Vox, o presidente da COP30 André Corrêa do Lago adiantou que o mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis, pedido por Lula ainda na Cúpula dos Líderes e endossado por mais de 80 países, ficou de fora do documento final da COP30. Segundo Lago, essa proposta não foi perdida, mas será apresentada à parte pelo Brasil, que deve ser trabalhada nos próximos meses, em paralelo.
Após horas de negociação, por volta das 8h20 da manhã do sábado (22), depois de uma madrugada inteira em reuniões com delegações, André deixou a sala do secretariado da presidência da COP com semblante feliz. Na exclusiva, ele relatou:
“O que entra, por outro lado, é financiamento e adaptação, outros tópicos-chave desta conferência. Após uma noite e madrugada intensa de negociações, os resultados devem ser apresentados em plenária a partir das 10h30 do sábado (22). Eu acho que a gente vai ter aprovação de muitos documentos por volta das 10h30. Agora são 8h10 da manhã e estamos na sala desde madrugada, mas eu acho que um resultado, se conseguir 195 países concordarem com a quantidade de documento que a gente aprovou, eu acho que vamos demorar para explicar tudo o que foi feito, mas eu acho que foi muito bom e os países colaboraram muitíssimo. O Roadmap nós vamos anunciar, vai ser uma iniciativa da presidência brasileira, e ainda temos onze meses para tocar” [entrevista exclusiva ao diretor executivo do Amazônia Vox, Daniel Nardin].
Evans Davie Njewa, delegado do Malawi, revelou ainda que foi fechado um “pacote neutro”, ressaltando o compromisso de enviar financiamento para operações até 2035 e a necessidade de colaboração para aumentar a ambição da mediação, visando alcançar a estabilidade de 1,5%. Além disso, de acordo com ele, concordaram em melhorar a cooperação em questões comerciais relacionadas ao processo, incluindo as medidas levantadas pelos Estados Unidos e outros países.
Expectativas para o texto final
Na versão anterior dos textos, o mapa do caminho (roadmap) para longe dos combustíveis fósseis já havia sumido, assim como outro “roteiro” requisitado por Lula para o fim do desmatamento. Esse apagamento das pautas provocou reações de cientistas, negociadores e ambientalistas.
Países como a Colômbia, Panamá e membros da União Europeia (UE) reagiram ao “esvaziamento” dessas pautas. Segundo Daisy Dunne, editora associada do Carbon Brief, 92 países estão apoiando o pedido por um roteiro de desmatamento nesta COP, incluindo a UE e um grupo de mais de 50 nações de floresta tropical, a “Coalizão das Nações com Florestas Tropicais” (CfRN). Se confirmada a informação, o número seria maior até mesmo que a lista de 82 países que expressaram apoio ao roteiro de combustíveis fósseis no início desta semana. Para Carolina Pasquali, diretora executiva do Greenpeace Brasil, o mais importante não era ter um resultado rápido, mas ambicioso: “Ainda há tempo. Hoje, não deveríamos nos apressar para finalizar a COP, mas sim para fazer o que for preciso para que ela seja bem sucedida”, declarou na sexta-feira.
O que entrou nesse rascunho de sexta (21), por outro lado, foram os indicadores de adaptação – em linhas gerais, são métricas para acompanhar o progresso de ações para reduzir a vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas. O pacote de documentos do rascunho apresentava 59 indicadores. “A gente esperava muito que os indicadores viessem nesta COP e veio à tona. Esse foi um dos grandes entraves dentro das negociações”, contextualiza Lygia Nassar, diretora adjunta e gestora de sustentabilidade e projetos do Laboratório da Cidade.
Para ela, sob a perspectiva de um país em desenvolvimento, ter esses indicadores é fundamental para ter capacidade técnica para implementar as ações de adaptação climática. “No texto, a gente tem vinculado que os países desenvolvidos irão ter esse repasse de recursos financeiros para os países em desenvolvimento, além do repasse de capacidade técnica e a transferência de tecnologia. Isso está sinalizado no texto, precisamos aguardar para entender se vai se manter ou não”, analisa Lygia, que também participa do Comitê COP30.
Segundo a gestora do Laboratório da Cidade, o grande objetivo da adaptação é a redução da vulnerabilidade, entendendo os contextos nacionais e as características demográficas socioeconômicas – o que está incorporado na proposta atual. “Ainda não conseguimos fazer uma avaliação muito profunda de cada indicador, mas eles parecem estar muito amplos, não tem tanta profundidade dentro deles, então o que se propõe é haja um ciclo de dois anos para ter um refinamento dentro das metas globais da adaptação”, aponta. Agora, resta esperar novidades das negociações para saber o que exatamente entrará ou não no documento final – e como.
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Esta reportagem foi produzida por Amazônia Vox, por meio da Cobertura Colaborativa Socioambiental da COP 30. Leia a reportagem original em: https://www.amazoniavox.com/noticias/view/556/Ultimas_horas_de_cop30_roadmap_fica_fora_mas_ha_avancos_em_financiamento_e_adaptacao?src=hh















